Entre a noite de sexta-feira (21) e a madrugada deste sábado (22), começou o primeiro dia de desfiles das escolas de samba no Anhembi, em São Paulo. Foram sete escolas do grupo especial, entre elas a campeã Mancha Verde. Confira os destaques.

23h15 – Barroca Zona Sul

A Barroca Zona Sul abriu a primeira noite de desfiles. Em sua reestreia no Grupo Especial após 15 anos, a escola que tem origem no bairro da Vila Mariana homenageou Tereza de Benguela. A líder quilombola foi escravizada e trazida de Angola para o Brasil. Aqui, ela montou o Quilombo de Quariterê, localizado no território do atual estado do Mato Grosso, organizando politicamente e militarmente seu povo.

A rainha da bateria da Barroca da Zona Sul foi a musa fitness Renata Spalici, que usou uma fantasia com 50 mil cristais para representar a riqueza usurpada de Angola. A escola não tem carnavalesco há cinco anos e trabalha com uma estrutura de um diretor de geral de carnaval, Marcus Paulo, assessorado por uma comissão de carnaval, mais uma comissão artística.

Desfile da escola de samba Barroca Zona Sul, no grupo especial do Carnaval 2020, no Sambódromo do Anhembi em São Paulo (SP), nesta sexta-feira (21)

00h20 – Tom Maior

Nascida em fevereiro de 1973 e embalada pelos versos de Martinho da Vila (“Vai ter de amar a liberdade, só cantar em tom maior), Tom Maior homenageou neste ano os africanos que contribuíram para o desenvolvimento físico, cultural e intelectual da sociedade. O enredo da Tom Maior foi “É coisa de preto”, letra que fala do legado de negritude, resistência e luta por igualdade.

O destaque foi uma estátua gigante da vereadora Marielle Franco, morta em março de 2018. Ela foi caracterizada com uma mordaça nas mãos, em referência ao fato de não ter se calado.

Desfile da escola de samba Tom Maior, no grupo especial do Carnaval 2020, no Sambódromo do Anhembi em São Paulo (SP), nesta sexta-feira (21)

01h25 – Dragões da Real

“Deus não criou o mundo pela palavra, mas pela risada”, dizia o antigo escrito egípcio que serviu de inspiração para o enredo deste ano da Dragões da Real. A vice-campeã do Carnaval de 2019 apostou na alegria para homenagear o trabalho desenvolvido pelos Doutores da Alegria.

Este ano foi o último carnaval de Simone Sampaio como rainha da bateria. Quem entra no lugar é a musa Carla Prata, que tem uma doença autoimune chamada miastenia gravis. Ao portal G1, Carla se emocionou ao dizer que o enredo da escola tem a ver com a sua condição física, já que fala sobre “o riso como cura para o dia a dia”.

Durante a dispersão, o carro da Dragões da Real ficou preso aos fios de eletricidade da rua e atrasou o início do desfile da Mancha Verde. A suspeita é que os ventos e a chuva possam ter abaixado a fiação, deixando a altura de saída menor do que a da entrada. Não haverá punição.

Desfile da escola de samba Dragões da Real, no grupo especial do Carnaval 2020, no Sambódromo do Anhembi em São Paulo (SP), neste sábado (22)

02h30 – Mancha Verde

Após uma hora de atraso por causa de um problema com o carro elétrico da Dragões da Real, a Mancha Verde não deixou a desejar na avenida. A grande campeã do último Carnaval relacionou o sofrimento da humanidade com o calcário vivido por Jesus Cristo. A proposta é uma reflexão sobre os atos condenáveis e o comportamento social no enredo inspirado pela passagem bíblica Lucas 23:34.

Um dos carros, que trouxe uma mulher vestida de Maria, mãe de Jesus, homenageou as mães de Paraisópolis, da Candelária e do Brasil. A rainha da bateria há 16 anos, Viviane Araújo, brilhou em uma fantasia toda vermelha.

O desfile da Mancha Verde foi cronometrado manualmente, pois houve uma queda de energia no Anhembi.

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Desfile da atual campeã do carnaval Paulista, Mancha Verde. Na foto, a atriz e modelo Viviane Araujo, rainha da bateria.

05h – Unidos do Tatuapé

A quinta escola a passar pela avenida elegeu Atibaia, cidade do interior de São Paulo, como tema para este ano. Pontos turísticos, folclore, inspiração da cultura japonesa na região e belezas naturais, como as flores e plantações de morangos, foram explorados pelo samba, alegorias, carros alegóricos e coreografias.

O enredo foi ‘O ponteiro da viola encanta… Sou fruto da terra, raiz desse chão… Canto Atibaia no meu coração’. Também teve chuva de papel picado, um grupo de violeiros de Atibaia e 60 bonecões.

Casal mirim de mestre-sala e porta-bandeira da Acadêmicos do Tatuapé, que homenageou Atibaia

06h05 – Império da Casa Verde

Tricampeã do carnaval paulista, a Império da Casa Verde foi a sexta escola a entrar na Avenida, já na manhã deste sábado de Carnaval. A escola homenageia neste ano o Líbano, e apostou na tecnologia e nos efeitos especiais para impressionar os juízes.

Com o enredo “Marhaba Lubnãn” (‘Olá, Líbano’, em tradução livre), a escola é a primeira a abordar uma outra nação neste ano. A escola aproveitou a grande comunidade libanesa que vive no Brasil para homenagear a rica história do país árabe. O último carro e a última ala contaram com quase 200 libaneses.

Abre-alas da Império da Casa Verde no Anhembi
Abre-alas da Império da Casa Verde no Anhembi

07h10 – X-9 Paulistana

A X-9 Paulistana encerrou o primeiro dia de desfiles no Anhembi já depois das 8h da manhã. Sob uma garoa fina, os integrantes amanheceram com muito samba no pé, ao som do enredo “Batuques para um rei coroado”, que promoveu uma viagem cultural pelo país. A escola contou um pouco da batucada em cada uma das regiões do Brasil.

A escola apostou nas cores e nos espelhos para valorizar suas alegorias à luz do dia. Um dos carros, composto por duas partes acopladas, teve um problema durante o desfile. A conexão se rompeu, obrigando os integrantes da escola a empurrá-los separadamente. Ele teve dificuldades para atravessar a avenida de forma correta, e se chocou contra as grades laterais do Anhembi em alguns momentos. O problema pode custar pontos para a escola, que foi campeã do carnaval pela última vez em 2000.

Os desfiles desse sábado começam às 22h30, com a escola Pérola Negra.

X-9 Paulistana se encheu de cores para mostrar os batuques do Brasil