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Só a educação compartilhada poderá impactar a formação dos novos profissionais do agro

Só a educação compartilhada poderá impactar a formação dos novos profissionais do agro

Participei como mediador ontem (27) da mesa redonda “Mudanças na educação e seu papel no agronegócio” que foi o destaque do primeiro dia da 2ª edição do YAMI – Youth Agribusiness Movement International, evento direcionado aos jovens que teve como foco discutir as adaptações do sistema de ensino no pós-pandemia e como isso irá impactar a formação dos novos profissionais do setor. Ele acontece conjuntamente ao 5º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio.

O debate teve início com um vídeo do criador do conceito de agribusiness na Universidade de Harvard e escritor do livro Food Citizenship, Ray Goldberg, que deixou a seguinte mensagem: “Sua geração tem a chance de fazer algo inédito, certificar-se de que a cooperação de cada um dos tomadores de decisão do sistema de produção de alimentos seja uma resposta para as necessidades da sociedade, do meio ambiente e da economia, além de atestar a formação de educadores e daqueles que serão educados, para que entendam seu papel nesse sistema”.  O escritor destacou ainda que antes da pandemia tinha iniciado um projeto de promover, uma vez por ano, o encontro presencial de pessoas de diferentes lugares do mundo para debater problemas e mostrar que, por meio da união e do diálogo, é possível solucioná-los.

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio – ABAG, Marcello Brito, falou da importância do jovem no sucesso do agronegócio. Segundo ele “esse grupo será o herdeiro de tudo que foi construído até agora, com a vantagem de ter a internet como aliada para seguir em frente, buscando o desenvolvimento do setor” e afirmou que o encontro é um momento muito importante para formação, conhecimento e estruturação do novo agronegócio”.

O diretor do Transamerica Expo Center, Alexandre Marcilio, realizador do evento, ressaltou que “o encontro já colhe frutos e assiste ao desenvolvimento de ações encabeçadas por jovens que estiveram no YAMI 2019”.

Pedro Camargo Neto, produtor rural e ex-secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, comentou sobre a importância do diálogo e da evolução em conjunto e disse ser fundamental “aprender uns com os outros para que ao apresentar os problemas, todos compreendam as necessidades e juntos auxiliem a superá-las”.

A diretora de relações internacionais da Audencia Business School, da França, Desi Schmitt, afirmou que hoje os questionamentos sobre como será a educação de amanhã são os mesmos em todos os países.  Para ela, “as mudanças geradas por este momento inédito que afetou o mundo fizeram com que os educadores passassem a pensar de outra maneira. Os alunos tiveram menos aulas teóricas e mais desafios para serem solucionados na prática”.

Gislaine Baniski, pesquisadora e palestrante da RCA Educação, falou que o uso da tecnologia potencializa o aprendizado e cria uma nova dinâmica nas salas de aula. Segundo ela, “a forma de agir do professor mudou e ele passa a ser o curador da informação. Ele deve colocar a informação e sair de cena, colocando os alunos no palco para que apliquem o conhecimento na prática”.

O coordenador do PENSA, Cláudio Antonio Pinheiro Machado Filho, fez uma reflexão sobre os três grupos de jovens mais presentes no setor nacional: os empreendedores, sucessores e os engajados nos temas do agro. Para ele, “nos três grupos há uma certeza da importância da capacitação do profissional do campo e que a competência técnica não é suficiente; é preciso ter um conhecimento mais abrangente para compreender todas as etapas da cadeia e o seu papel nela”.

A Master of Science e MBA em Food and Agribusiness Management Audencia Business School, Corinne Lamour, reforçou o agronegócio como um campo de interesse dos jovens universitários, que “continua recrutando os novos talentos por todo o mundo, pois é visto como dinâmico e protagonista de inúmeras inovações focadas em achar soluções para alimentar a população, além de se mostrar cada vez mais consciente em relação aos problemas ambientais e sua importância na produção de alimentos”.

O coordenador do Centro de Agronegócio da FGV-EESP (GV Agro) e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, falou sobre a segurança alimentar e a sustentabilidade como as maiores preocupações do mundo atual. Segundo ele, “precisamos produzir mais com menos impactos ao meio ambiente e os jovens do campo e da cidade estão engajados nesta busca e serão os responsáveis por esse movimento”. Para isso, disse Rodrigues: “a educação precisa estar preparada para repassar esse conceito as novas gerações”.

E o YAMI segue até sexta-feira, 29/10, com uma programação direcionada aos jovens do agronegócio. No segundo dia do evento, o tema central dos debates será a evolução digital.

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