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Não tem como escapar, a rastreabilidade vai pegar!

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Não tem como escapar, a rastreabilidade vai pegar!

A Cofco International, subsidiária da maior empresa de alimentos e agricultura da China, anunciou a meta de rastrear toda a soja que compra no Brasil de fornecedores diretos até 2023. Segundo a empresa, o compromisso resulta da linha de “financiamento verde” superior a US$ 2 bilhões obtida junto a bancos internacionais em 2019, que prevê descontos nos juros com base em resultados de sustentabilidade.

Desde o ano passado, a empresa mapeia fornecedores de soja no Brasil, Argentina e Paraguai, e afirma ter rastreado 100% da soja originada de forma direta de 25 municípios do Cerrado prioritários por sua biodiversidade. Também estariam em curso iniciativas relacionadas à sustentabilidade das cadeias de café e algodão.

Não há como negar, na última década, a China assumiu um papel preponderante no comércio e na atração de investimentos diretos para o Brasil. Sendo que desde 2009, é o nosso principal parceiro comercial. O agronegócio exportou para a China US$ 32 bilhões de janeiro a novembro de 2020, ou 34,7% do total. O país foi o principal destino de sete dos 10 maiores produtos exportados pelo setor: soja, carne bovina, açúcar, celulose, frango, algodão e carne suína.

A China passou por transformações aceleradas e liderou um dos mais impressionantes processos de desenvolvimento econômico da história, além de retirar da pobreza 850 milhões de pessoas, segundo informações do Banco Mundial. O desenvolvimento da agricultura em larga escala no mundo foi essencial para alimentar a população crescente e sustentar os padrões de consumo da nova classe média chinesa. E o Brasil soube adaptar as tecnologias à produção tropical, tornou-se uma potência agrícola e parceiro de confiança da China no fornecimento de alimentos.

E como a cada dia surgem novos desafios globais, como a exigência da conservação e recuperação de florestas e manutenção da biodiversidade, a agricultura está no centro da discussão internacional e a China não está alheia ao processo e, portanto, o agronegócio brasileiro também precisa ficar atento a estes desdobramentos, de olho nas oportunidades.

Maior emissor de gases de efeito estufa, com 28% do total mundial, a China surpreendeu com recente compromisso de alcançar a neutralidade de emissões até 2060 e mudar suas matrizes energética e de transportes. A proteção ao meio ambiente é hoje apresentada como a força motriz do desenvolvimento chinês em sua modernização econômica, industrial e energética.

No mundo pós-covid-19, os conceitos de segurança sanitária e alimentar, rastreabilidade e sustentabilidade estarão cada vez mais próximos. E o compromisso ambiental chinês pode ser uma grande oportunidade de agregação de valor para o nosso agronegócio. Não podemos ignorar o crescimento das preocupações ambientais de nosso maior parceiro, a China.

Não temos mais como escapar, a hora é da rastreabilidade pegar!

José Luiz Tejon para a Jovem Pan.

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