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Eu quero servir a empresa ou me servir da empresa? Sucessão e governança, a alma da gestão no agro e no governo

Divulgação
Eu quero servir a empresa ou me servir da empresa? Sucessão e governança, a alma da gestão no agro e no governo
Eduardo Najjar, professor da ESPM

Conversei com Eduardo Najjar, especialista em sucessão e governança de empresas familiares e professor da ESPM. Existem mitos e superficialidades correndo solto por aí a respeito desses dois conceitos que são essenciais e vitais, não só nas empresas familiares do agronegócio, como nas entidades e no próprio governo.

A pergunta que define quem somos no comando de qualquer coisa na vida está no título desta coluna, e me foi passada pelo professor Najjar: “eu quero servir a empresa ou me servir da empresa”? Também obtive de um extraordinário professor de liderança do Insead, na França, professor Ketz de Vries, a seguinte frase definitiva sobre a arte de liderar: “você sabe que é um líder ou não quando olha a sua agenda e ela revela, como um oráculo revelaria, se é a sua vida que está a serviço da agenda da causa, da empresa, do que tem que ser feito, ou se é a agenda que está a serviço da causa sua, pessoal e particular, que não guarda comprometimento com o servir a instituição”.

Portanto, o professor Najjar coloca que cabe aos fundadores organizar e conduzir com harmonia e tranquilidade o processo sucessório. E tem algo que ele relembra e que eu também já vi, fornecedores e clientes questionando de como será o futuro daquela empresa onde não existem sucessores a vista? Ou seja, a sucessão será inexorável. A não clareza na condução desse processo cria desconfiança e prejudica os negócios agora, no dia a dia.

Sobre governança o professor Najjar salienta que no caso do agro, 95% das empresas são familiares. Muitas já têm encaminhado programas de governança. Porém precisam ascender patamares mais altos dessa gestão. As pressões tecnológicas, ambientais, legais, tributárias, de consumidores e de diversas instituições no entorno do agronegócio conduzem para uma exigência elevada na prática da governança.

Confiança é uma palavra que decide tudo doravante. E para haver confiança é preciso transparência. Não basta haver a intenção da confiança, ela precisa ser explícita e percebida. Desta forma a governança percebida será construída com atos e fatos de respeito envolvendo todos os “stakeholders”, os públicos com os quais a empresa agropecuária se relaciona direta e indiretamente.

Produtores rurais estão no supply chain de agroindústrias, tradings, supermercados, dessa forma fazem parte cada vez mais diretamente dos modelos de governança das cadeias produtivas do agronegócio. ESG, sigla que faz parte doravante do capitalismo consciente: “environment, social, governance”. A prática da governança, registra o professor Najjar, associada à sucessão aumenta o valor da empresa , aumenta o patrimônio das famílias e transforma as empresas em muito mais resilientes. Quer dizer, preparadas para superar os desafios e as incertezas ao longo do tempo.

No agronegócio posso destacar ótimos exemplos de governança e sucessão, os quais conheço pessoalmente como um benchmarking: máquinas agrícolas Jacto S/A, Agroceres, Aster Máquinas (concessionária top John Deere), Fazendas Reunidas do Pontal – Goiás,  são exemplos reais de ações envolvendo criação de conselhos e de gestão profissional nesses aspectos levantados pelo professor Najjar.

Se isso é importante para a sua e a minha empresa, imagine então para governar uma nação? Sem governança só vai dar lambança. Não gera confiança! Da mesma forma, quando olhamos para o agribusiness como um todo, um sistema que vai do consumidor até a ciência, da mente do cliente até a geração da semente, precisamos cada vez mais de um sistema de governança, de ponta a ponta.

José Luiz Tejon para a Jovem Pan.

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