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‘Ninguém Tá Olhando’ prova que dá para fazer série de humor nacional divertida e inteligente

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‘Ninguém Tá Olhando’ prova que dá para fazer série de humor nacional divertida e inteligente
Victor Lamoglia, Julia Rabello, Kéfera Buchmann e Danilo de Moura: protagonistas de "Ninguém Tá Olhando"
  • É impossível assistir a “Ninguém Tá Olhando” sem lembrar de “The Good Place”. Em cartaz na Netflix, ambas as séries retratam o Além como um mundo cheio de burocracias e regras próprias, mas as coincidências param por aí. O seriado nacional criado por Daniel Rezende acompanha os Ângelus, como são chamados os anjos, seres invisíveis que impedem que os humanos sofram acidentes banais ou sérios. Nenhum deles, no entanto, pode aparecer para seus protegidos e é aí que a história se desenrola. Uli (Victor Lamoglia), ângelus recém-nascido e questionador, decide não cumprir suas missões de maneira passiva e leva seus companheiros para o mau caminho.

Ousado, Uli faz amizade com um veterinário, desenvolve uma relação íntima com Miriam (Kéfera Buchmann) e estimula seus colegas com milhares de anos de idade a Greta e Chun (os ótimos Júlia Rabello e Danilo de Moura) a passarem por experiências exclusivas do humanos, como sexo e drogas. Retratado como uma repartição pública tediosa – impossível não traçar um paralelo com a saudosa “Os Aspones” -, o QG dos Ângelus é coordenado por um fiscal sem muita criatividade vivido por Augusto Madeira. O elenco, aliás, é composto por uma série de acertos – à exceção do rapper Projota -, mas é nos roteiros que reside a graça de “Ninguém Tá Olhando”. Um dos méritos é o de criar um mundo completamente crível e situações cotidianas plenamente possíveis. Daniel Rezende, aliás, se prova como um grande entendedor do mundo pop brasileiro. Não à toa esteve à frente de filmes de sucesso como “Turma da Mônica – Laços” e “Bingo”.

Se o cinema brasileiro viu nas comédias sua mina de ouro, as séries nacionais ainda se destacam mais pelo drama que pelo humor. Embora muita sitcom seja produzida no país, dá para contar nos dedos quais eram de fato engraçadas. “Ninguém Tá Olhando” prova que é possível fazer algo divertido e inteligente e bem distinto do que se faz no exterior. Nesse sentido, a série se distancia bastante de “The Good Place” em sua condução, genuinamente brasileira. A produção tem ainda um ótimo gancho para segunda temporada. Que ela venha logo.