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De fã de Silvio Santos a apresentador famoso, Gugu teve carreira bem sucedida e quase foi para a Globo

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De fã de Silvio Santos a apresentador famoso, Gugu teve carreira bem sucedida e quase foi para a Globo
Gugu Liberato morreu aos 60 anos após uma queda em sua casa, nos Estados Unidos

A história de Gugu Liberato na televisão parece um desses contos de filme. Fã de Silvio Santos, o então estudante escrevia constantemente para o dono do SBT – na época TVS – sugerindo ideias de formatos e comentando a programação. A insistência foi tamanha que acabou contratado pela emissora. Foi de contínuo a apresentador da “Sessão Premiada”, em 1981. No ano seguinte, emplacou uma de suas atrações mais inesquecíveis: “Viva a Noite”, que ficou no ar durante dez anos.

Durante toda a década de 80, Gugu já ensaiava a entrada no dia que o consolidou na TV, o domingo. Comandou o “TV Animal”, que recebia famosos em provas envolvendo conhecimentos gerais sobre natureza e interação com bichos. Esteve à frente do “Cidade Contra Cidade” e do “Passa ou Repassa”, formato até hoje exibido pelo SBT, agora sob tutela de Celso Portiolli. Teve ainda passagens pelo “Corrida Maluca”, “Acredite Se Puder” e “Roletrando”. Também mostrou que entende o potencial do mercado fonográfico. Apostou no “Sabadão Sertanejo” – posteriormente só “Sabadão” – e lançou grupos como Dominó, Polegar e Banana Split.

Chamou tanta atenção que acabou contratado pela Globo em 1988. Ao saber disso, Silvio Santos conversou com Roberto Marinho pedindo para que o acordo fosse desfeito. E assim ocorreu.

Já testado em vários formatos, assumiu um programa de auditório com a sua cara, o “Domingo Legal”, em 1993. Com a atração, reciclou alguns dos quadros de sucesso dos programas anteriores, mas imprimiu a própria marca com jornalismo ao vivo, com direito a helicóptero sobrevoando São Paulo, e segmentos como o “Táxi do Gugu”, no qual surgia disfarçado conversando com anônimos. No auge do sucesso do axé e do pagode, explorou a nudez dos artistas com a “Banheira do Gugu”, que lançou símbolos sexuais e até hoje é lembrada. O resultado foi uma explosão de audiência, causando uma crise nos domingos da Globo. A rivalidade com o “Domingão do Faustão” foi tamanha que o programa concorrente chegou a apelar para um infame sushi em corpo de mulheres nuas e passou por um episódio muito criticado envolvendo o cantor Latino e um sósia. Os números de audiência passaram a ser acompanhados como placar de futebol. Especialista em Ibope, Gugu era conhecido por acompanhar em tempo real os índices e alongar assuntos com maestria.

O “Domingo Legal” também gerou controvérsia, especialmente quando exibiu uma suposta entrevista com membros do PCC. Na época, o programa veiculou ameaças a políticos e apresentadores. Dias depois, Marcelo Rezende revelou tratar-se de uma armação. Em entrevistas, Gugu sempre negou desconhecer a armação e chegou a prestar depoimento na polícia. O escândalo, no entanto, não prejudicou seu passe. Foi contratado pela Record com salário de R$ 3 milhões mensais. Na emissora ficou cinco anos aos domingos e depois migrou para as quartas-feiras, investindo em reportagens longas. Nos últimos anos, passou a comandar reality shows como “Power Couple” e “Canta Comigo”, ainda em exibição.

Curiosamente, no começo deste mês, Gugu foi alvo de um boato de que teria morrido. Foi às redes sociais publicar uma foto direto de Singapura, onde passeava, provando estar bem. Acabou morrendo por acaso, aos 60 anos, ao cair em sua casa, nos Estados Unidos, enquanto cuidava da decoração de Natal. Na memória dos fãs, Gugu sempre estará bem. Será sempre legado pelo grande legado, por ter feito parte significativa da história da TV brasileira.