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Jorge Fernando mudou as novelas das sete e transformou a mãe em estrela

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Jorge Fernando mudou as novelas das sete e transformou a mãe em estrela
Jorge Fernando se especializou em dirigir comédias leves

Morto aos 64 anos no último domingo (27), em decorrência de um infarto causado por um aneurisma na aorta, Jorge Fernando é responsável por consolidar o horário das sete como nicho de humor entre as novelas da Globo. Em parceria com Silvio de Abreu, transformou sua quarta novela como diretor em um marco da dramaturgia nacional. Foi com “Guerra dos Sexos” (1983) que a Globo percebeu o potencial do gênero no horário e permitiu que seus astros ousassem. Jorge Fernando foi um dos responsáveis pela antológica cena em que Fernanda Montenegro e Paulo Autran jogam café da manhã na cara um do outro.

O diretor, aliás, investiu em grandes parcerias na televisão. Com Silvio de Abreu esteve à frente de “Jogo da Vida” (1981), “Cambalacho” (1986), “Rainha da Sucata” (1990), “Deus nos Acuda” (1992), “A Próxima Vítima” (1995) e o remake de “Guerra dos Sexos”. Com um dos pioneiros da TV, Cassiano Gabus Mendes, dividiu o trabalho em “Brega & Chique” (1987) e “Que Rei Sou Eu?” (1989). Trabalhou ainda em tramas marcantes como “Vamp” (1991), de Antonio Calmon”, “Ti Ti Ti” (2010), de Maria Adelaide Amaral, e “Vereda Tropical” (1984), de Carlos Lombardi. Mais recentemente, firmou parceria com Walcyr Carrasco em produções como “Chocolate com Pimenta” (2003), “Alma Gêmea” (2005), “Sete Pecados” (2007) e “Eta, Mundo Bom!” (2016). Seu último folhetim foi “Verão 90”, de Izabel de Oliveira e Paula Amaral, que terminou em julho deste ano.

Em praticamente todas as suas novelas, quis realizar o sonho da mãe, Hilda Rebello, hoje com 95 anos, de se tornar estrela. A atriz virou uma espécie de talismã em seus trabalhos e sempre o acompanhou em seus trabalhos. A dedicação aos amigos e à família sempre foram característica de Jorge, que volta e meia surgia fazendo participações especiais com ator em algumas histórias e esbanjava carisma em entrevistas. Seu legado é claro: ele ajudou a dar ao horário das sete a cara que ele tem hoje. Poucos fizeram comédia com tanta leveza. Fará falta na Globo.