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Carille segue tentando adaptar os jogadores ao esquema. Poderia tentar o contrário

Carille segue tentando adaptar os jogadores ao esquema. Poderia tentar o contrário

Em 2018, a referência de ataque do Corinthians foi um problema. A saída de Jô no fim de 2017 ainda era muito sentida.

No ano passado, as opções não eram de fato boas. Roger, Jonathas, Matheus Matias… Nenhum deles conseguiu animar o torcedor.

Mas, em 2019, a história prometia ser outra. Gustagol voltava de empréstimo após ter feito ótima temporada pelo Fortaleza; Vagner Love retornava ao clube; e Mauro Boselli chegava super badalado.

Apesar do início promissor de Gustagol, quando parecia que o problema com o jogador de referência estaria finalmente superado, o atacante se machucou e não conseguiu mais ser o mesmo.

Mas por que será que os centroavantes do Timão estão enfrentando tantas dificuldades?

Cada um tem sua visão. A minha é que o esquema adotado por Fabio Carille em 2019 não está contribuindo com os camisas 9.

Explico minha tese.

O Corinthians tem ao menos cinco jogadores que não participam da construção de ataque, ou participam muito pouco (vou tomar como base a última escalação): Cassio, Manoel, Gil, Avelar e Ralf.

Além disso, Sornoza é um atleta que trabalha na base da construção de jogada. Ou seja, muitas vezes fica próximo do Ralf para ajudar na saída de bola da equipe.

Junior Urso é um infiltrador, um rompedor. É um meia importantíssimo no modelo de jogo do Corinthians, mas não tem um passe tão qualificado. Logo, não participa tão bem das associações.

Continuando. Carille utiliza dois jogadores abertos: Clayson pela esquerda como válvula de escape; e Pedrinho pela direita como um ponta mais construtor.

Aí sim chegamos ao camisa 9.

A referência de um modo geral fica isolada no ataque. Os pontas geralmente abertos demais, os meias normalmente muito recuados. O espaço entre as linhas adversárias, que é chave em um jogo de futebol, é pouco explorado. Às vezes, Pedrinho dá uma pisadinha ali, raramente Sornoza. Urso até aparece no setor, mas sem a capacidade de um passe mais qualificado (afinal suas características são outras).

Basicamente o Corinthians não consegue povoar uma zona importantíssima do campo e fundamental para as associações com o centroavante e passes para finalização.

Em 2015, por exemplo, Renato Augusto dominava o espaço entrelinhas; Jadson se aproveitava muito bem também. Elias, idem.

Carille está refém de um sistema que deu certo no passado, mas que não está funcionando, pois ele não tem jogadores com as características necessárias.

O treinador talvez precise adaptar o esquema aos jogadores; e não o contrário.


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