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O significado esportivo e social da participação do Brasil no Mundial Feminino

O significado esportivo e social da participação do Brasil no Mundial Feminino

A participação da Seleção Feminina do Brasil na Copa do Mundo da França carregou uma série de significados, alguns esportivos, outros sociais. E um discurso bem presente após a eliminação para as donas da casa é que 2019 pode ser um divisor de águas para a modalidade.

BALANÇO ESPORTIVO

COBERTURA

Sem dúvidas, a cobertura da Seleção Feminina no Mundial da França foi a maior que tivemos até aqui. Os jogos foram transmitidos em TV aberta e na principal emissora do País. Inclusive, a abertura foi narrada por Galvão Bueno, titular da TV Globo. A audiência foi excelente e a mobilização muito grande. Claro que não foi como a Copa do Mundo Masculina, mas isso pouco importa.

DESEMPENHO

O desempenho do Brasil foi acima do esperado. Uma vitória tranquila diante da Jamaica; uma derrota apertada para a Austrália, uma das potências do esporte; uma vitória diante da promissora Itália; e uma derrota de igual para igual com uma das favoritas e donas da casa, França. Foi um feito e tanto, principalmente levando em consideração os últimos jogos antes do Mundial, nove derrotas em nove partidas, e os problemas ligados ao departamento médico, cortes, lesões etc.

COMISSÃO TÉCNICA

Uma das maiores críticas ao trabalho da comissão técnica da Seleção foi em relação ao trabalho do Vadão. O treinador mostrou desconhecimento ao falar do “estilo africano” da Jamaica, primeira adversária na Copa; deu declarações infelizes sobre as jogadoras do Brasil; se mostrou perdido em muitos momentos; e (uma analise minha, claro) mostrou limitações táticas e não conseguiu o resultado esperado na maior parte das substituições, principalmente contra Austrália e França.

RENOVAÇÃO

Fica claro a necessidade de uma renovação forte na Seleção. Marta, Cristiane e Formiga estão com idade avançada e provavelmente não estarão no próximo Mundial. Algumas jogadoras vão aos pucos tentando assumir essas lacunas, como Debinha, que fez uma ótima Copa. Ainda assim, é difícil apontar jogadoras que estarão no mesmo nível das citadas acima no Mundial de 2023. Aliás, após a eliminação contra a França, Marta falou sobre o tema:

BALANÇO SOCIAL

MAIOR ARTILHEIRA DAS COPAS

Com os gols marcados no Mundial da França, Marta se tornou a maior artilheira da história das Copas ao chegar a 17 gols e ultrapassar Klose, com 16. Marta também é a única atleta a marcar em cinco mundiais diferentes – isso sem contar os seis prêmios de melhor jogadora do planeta. Mas o que seria motivo de exaltação e comemoração virou um tremendo debate nas redes sociais.

Muita gente se sentiu ofendida com a associação entre futebol feminino e masculino. Para muitas pessoas é ridículo colocar os dois na mesma frase, mesmo que a comparação não tenha sido sobre o nível de desempenho de cada um. O que foi colocado é uma curiosidade estatística, nada mais.

CENSURA “POSER”

Do ponto de vista antropológico, algo que chamou a atenção na Copa do Mundo Feminina foi a censura “poser”. Poser para quem não sabe é um termo usado para descrever pessoas que fingem ser o que não são ou fingem conhecer o que não conhecem. “Nunca assistiu nenhum jogo feminino e agora quer falar?” Particularmente, acho hilária essa argumentação.

Existem pessoas que só assistem futebol na Copa do Mundo, existem pessoas que só assistem ao Super Bowl, existem pessoas que só assistem à final da NBA. Qual o problema? Nenhum, pelo contrário. É legal que durante a Copa do Mundo Feminina o engajamento seja maior. Mais legal ainda é ver pessoas, que não costumam acompanhar a modalidade, discutindo os jogos, conversando com amigos, analisando o desempenho da Seleção.

CRÍTICA IDEOLÓGICA

Vivemos tempos em que algumas pautas sociais foram ideologizadas. Muita gente simplesmente não gosta dos jogos de futebol feminino, o que é legítimo. Por outro lado, existem as pessoas que criticam sem nunca terem assistido a uma partida. Elas enxergam o emponderamento das mulheres com a exposição da Copa como algo ideológico.

Para essas pessoas, é uma ofensa a Marta usar a imagem que conquistou para lutar por mais representatividade, por uma equiparação maior, por uma valorização. Um discurso de luta que para muitos é visto como afronta. O ponto é que ela não está obrigando ninguém a nada, não é uma imposição. É apenas a luta por algo que acha correto, o que é um direito mais que legítimo.

OBRIGAÇÃO DE CONSUMO

Vemos também uma turma acuada, coitados, estão sendo praticamente obrigados a consumir o futebol feminino. Não, amigos, ninguém é obrigado a assistir nada. Pelo contrário. O discurso é em busca de uma maior estruturação e organização para que os jogos de futebol feminino tenham mais atrativos e dessa forma as pessoas tenham vontade própria de acompanhar a modalidade. Ninguém será forçado a nada, fiquem tranquilos.


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