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Brasil chega bem demais na Copa, mas se perder as críticas já estão prontas

Brasil chega bem demais na Copa, mas se perder as críticas já estão prontas

O Brasil sem dúvida é um dos grandes favoritos na Copa do Mundo da Rússia. A equipe comandada por Tite está bem em todos os aspectos: tático, técnico, físico e individual.

Neymar, que era a grande preocupação da comissão, voltou bem demais. Jogou 45 minutos contra a Croácia e 83 diante da Áustria. Mais do que isso, marcou dois belos gols e mostrou estar completamente recuperado da lesão no pé.

Apesar de todos os indicadores positivos, claro, a seleção pode não ganhar o Mundial. Afinal, tem bons concorrentes pela frente: Espanha, Alemanha, Argentina, França, Portugal, Bélgica e Inglaterra, por exemplo (aliás, essa é a minha sequência de favoritos).

Mas como no Brasil o negócio é vencer ou vencer, só um bom trabalho não basta. As críticas, podem ter certeza, já estão na gaveta esperando para serem utilizadas em caso de derrota. Na sequência, enumero algumas que farão sucesso se a seleção não conquistar o hexa:

TITE E SUA PANELA

Desde que assumiu a seleção, Tite tem recebido críticas por abraçar profissionais que trabalharam com ele na época do Corinthians. Agora unanimidade, Paulinho, por exemplo, era contestado pela grande maioria da imprensa e dos torcedores. As boas atuações, mudaram esse cenário.

Ainda assim, o Brasil conta com muita gente ligada ao Timão: Cassio e Fagner (elenco atual); Marquinhos e Willian (revelados pelo clube); Renato Augusto e Paulinho (ex-jogadores); Edu Gaspar, Cléber Xavier, Sylvinho, Fábio Mahseredjian, Fernando Lázaro, Matheus Bachi e Ricardo Rosa (ex-comissão técnica); Rodriguinho (na lista de 35); além de outros atletas que chegaram a ser chamados mas ficaram no meio do caminho, como o zagueiro Gil.

NEYMARDEPENDÊNCIA

Independente da forma que eventualmente a seleção perca a Copa do Mundo (se perder, claro), uma palavra fará sucesso nas redes sociais e nas rodas de debate: “neymardependência”. “A seleção só tem um jogador”, “Coutinho e Willian se escondem”, “Neymar é muito individualista”, ” Brasil só tem uma jogada: ‘toca no Neymar'” e outras frases do gênero serão usadas com muita frequência.

TAISON

Taison foi o nome que mais dividiu opiniões na lista do Tite. O jogador tem suas qualidade, mas hoje em dia é quase um meme ambulante depois das comparações com Messi: “o futuro dirá”. Mas vale destacar que ele é apenas um atleta dentro de um grupo de 23, e talvez nem jogue. Porém, em caso de derrota, sem dúvida será lembrado.

THIAGO SILVA E FERNANDINHO

Thiago Silva e Fernandinho são os dois jogadores do atual elenco que mais ficaram marcados na campanha do Brasil na Copa de 2014. O primeiro estava suspenso e não enfrentou a Alemanha nos 7 a 1, mas seu choro, nas oitavas de final, antes da disputa de pênaltis diante do Chile, jamais sairá do imaginário do torcedor brasileiro. O segundo esteve nos 7 a 1, e talvez tenho sido o maior retrato da seleção dentro de campo: completamente perdido e atordoado. Em caso de derrota na Rússia, muita gente vai se lembrar disso.

ALISSON

Apesar das boas atuações, tanto na Roma, quanto no Brasil, Alison não é unanimidade. É o goleiro de confiança do Taffarel, mas para muita gente tem o estigma de “chama gol”. Se o Brasil perder, as cornetas vão soar para o lado dele.

TRAUMA DOS 7 A 1

Alguém duvida que, em caso de derrota, muita gente vai falar do trauma dos 7 a 1? “A seleção nunca mais será a mesma”, “O Brasil agora virou um time de pipoqueiros”, “Depois dos 7 a 1, viramos uma seleção medrosa”. Sim, se “fracassarmos”, vocês vão ouvir isso.

CLIMA DE “JÁ GANHOU”

Um dos primeiros argumentos quando o Brasil não conquista uma Copa do Mundo é o tal “clima de já ganhou”. Na preparação para esse Mundial, Tite e sua comissão restringiram demais o contato com o público e mesmo com a imprensa. Apesar disso, se a derrota vier, pouca gente vai lembrar.

OUTRISMO

Uma das principais características de nós brasileiros é o outrismo. Sempre quem está fora é melhor. “Ah, se o Ederson fosse o goleiro”, “Fagner é melhor que o Danilo”, “Firmino merecia ter jogado”, “Com Fernandinho o time não teria ficado tão exposto”, “Coutinho e Willian precisavam ter jogado juntos”. Sim, em caso de derrota, o outrismo fará sucesso.

Amigos, não sejam essas pessoas. O Brasil chega bem à Copa do Mundo, é uma das seleções favoritas. O trabalho do Tite e de sua comissão foi bem feito até aqui. Ganhar ou perder faz parte. As críticas, claro, sempre podem (e devem) ser feitas. Mas criticar por criticar é ignorância.


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