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Roger Machado precisa repensar alguns conceitos caso queira ajudar Lucas Lima

Roger Machado precisa repensar alguns conceitos caso queira ajudar Lucas Lima

Roger Machado é um técnico promissor. Tem boas qualidades, mas ainda está em evolução. Lucas Lima é um jogador acima da média, levando em conta o nível do futebol brasileiro. Fez boas temporadas, chegou a vestir a camisa da seleção brasileira e também foi cotado em alguns clubes europeus. No momento, tanto Roger Machado, quanto Lucas Lima estão em baixa, e um precisa do outro para se reerguer.

Roger tem como esquema de jogo preferido o 4-2-3-1. Ou seja, uma linha de quatro defensores, dois volantes à frente da zaga (um deles com mais liberdade para chegar ao ataque), dois pontas agudos, um meia de criação e um centroavante. Aparentemente, uma forma de jogo perfeita para um camisa 10 (no caso do Palmeiras, camisa 20). Só que na prática esse esquema dos sonhos está virando um pesadelo para Lucas Lima, que, além de não estar com confiança, está sobrecarregado.

Explico melhor. Vamos pegar como referência Tite, o melhor técnico brasileiro da atualidade. Ele gosta de jogar com dois pontas, um aberto em cada lado. Vale destacar que o técnico da seleção não utiliza o tal meia de criação, ele gosta de dois volantes/meias, que tenham bom passe e que cheguem com facilidade no ataque. Mas esse não é o ponto desse post.

Ao contrário do que Roger faz no Palmeiras, com dois pontas agudos (geralmente Keno e Dudu), Tite prefere um ponta atacante e outro de criação. O Corinthians de 2015, por exemplo, tinha Malcom pela esquerda (agudo), e Jadson pela direita (criação). Na seleção acontece o mesmo, Neymar pela esquerda (agudo), Coutinho pela direita (criação).

Claro que não é uma regra, mas muitas vezes uma equipe que tem dois pontas agudos acaba sobrecarregando o jogador responsável pela criação. Acho que é o caso do Palmeiras. Por isso, Roger poderia tentar algumas variações para tirar um pouco da sobrecarga em cima do Lucas Lima, e consequentemente, potencializar seu desempenho.

Uma alternativa seria o Gustavo Scarpa. Eu sei que nesse momento ele está indisponível, mas exemplifica bem o raciocínio. Um atleta que joga aberto, e que também tem por característica a criação de jogadas. É um jogador bastante cerebral, que talvez conseguisse tirar a sobrecarga do camisa 20 do Palmeiras. Na ausência do Scarpa, Hyoran seria uma opção.

Sem Scarpa, as alternativas nesse momento seriam Hyoran em uma das pontas; ou abrir Lucas Lima e clocar Moisés no time como terceiro homem de meio campo, à frente de Felipe Melo e Bruno Henrique.

Há também a possibilidade de abandonar o 4-2-3-1 e testar o 4-1-4-1. Nesse caso, Roger tiraria um dos volantes, manteria os pontas agudos, e colocaria outro jogador de criação, como Moisés ou Hyoran.

O certo é que Roger Machado não é um técnico ruim e Lucas Lima não é um jogador ruim. Longe disso. Mas nesse momento um precisa do outro. Ao que parece, só assim eles vão conseguir reverter esse momento de desconfiança e instabilidade.

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